Tem a ver que não adianta que tenhamos uma posição sobre como deve ser o verdadeiro e eficaz feminismo ou a verdadeira e eficaz luta pela libertação humana e tentar impor ou sobrepor essas percepções à realidade concreta. A militância de esquerda, de modo geral, precisa trabalhar com o que existe na realidade, com a cultura e os valores populares como eles se apresentam. Uma atitude vanguardista absoluta não funciona pelo simples motivo de que a maioria das pessoas não tem interesse ou mesmo não entende coisas com as quais não consegue se relacionar. Isso não significa dizer que a “vanguarda” teria uma cultura superior e inédita em relação aos grupos populares “inferiores”. Para Gramsci, aliás, não existe tal coisa como uma cultura popular separada de uma cultura elitista: cultura é uma coisa só, um mesmo campo de disputa. Na verdade, o problema me parece bem simples: não adianta fechar a porta da sala da vanguarda acadêmica ou militante e ficar falando com as paredes. É preciso dialogar, por mais que alguns não gostem do quadradinho ou não consigam mandar o passinho. Lembram do Paulo Freire, que construía a alfabetização através da realidade concreta dos educandos? É por aí.